A Casa Monstro chega com uma série de ingredientes com cheiro de sucesso. O filme vale-se mais uma vez da imagem cara ao imaginário infantil, a casa misteriosa, que já rendeu histórias orais, escritas e filmadas. Até que o imóvel, à primeira vista, não bota susto. Mas um trio de garotos com espírito de Sherlock descobrem haver lá espíritos malignos, que desaparecem com coisas e pessoas. Pode parecer um terror assustador pela descrição, mas, conforme os elogios dos críticos americanos, a Casa Monstro é uma narrativa ingênua e lúdica, que dificilmente provocará pesadelos ou insônia nos pequenos. Tudo começa com uma bola de basquete que, depois de ultrapassar os limites da casa, acaba sendo devorada de forma sinistra. A animação capturou movimentos reais de atores, vestidos com roupas cheias de sensores, em vez de criar tudo no computador. Os humanos digitalizados, têm jeito de boneco de plástico, mas são apazes de fazer gestos iguais aos de gente de verdade. O diretor estreante Gil Kenan anda dizendo, em suas entrevistas, que a técnica usada é a mais avançada (chamada de Motion Control). Sua referência mais próxima, nesse sentido, é O Expresso Polar. Produzido por Robert Zemmeckis e Steven Spielberg, A Casa Monstro traz a marca desse último em ET, pois, como naquele drama infanto-juvenil sobre a relação das crianças com o "desconhecido" (um alienígena), os adultos estão ausentes dos acontecimentos, aumentando o grau de vulnerabilidade da garotada. Como Spielberg vê a infância como período de perdas e descobertas, umas e outras marcantes para o futuro, é de esperar uma sombra que ameace a luz da inocência infantil.